Critério de Kelly Parte 1 – A Nova Moda da Gestão de Banca

O que é o Critério de Kelly, para que serve… e será que serve para as Apostas?

 

Artigo elaborado por Xeque99 , Rafael Caiafa e Wolf – Critério de Kelly

 

Critério de Kelly – Obter lucro a longo prazo por meio do jogo, obriga segundo a teoria Geral comummente aceite a um Mindset fluído e forte e uma constante Gestão de Banca, por isso encontrar o plano de apostas certo é tão importante quanto identificar uma estratégia vencedora, independentemente do desporto ou mercado de atuação.

Mesmo que tenhamos uma vantagem sobre o mercado e possamos identificar valor (EV+) podemos ficar com a Banca severamente danificada ou mesmo destruída, bastando para isso apostar quantias maiores em Apostas que se revelam perdedoras do que em apostas que são efetivamente vencedoras.

Layout do Critério de Kelly

Torna-se por isso fundamental conseguirmos compreender corretamente os vários critérios de alocação, ou Stake plans, todos têm méritos e todos, incluindo a estrela deste artigo o Kelly, apresentam desvantagens, vamos conhece las melhor e perceber como as poderemos contornar.

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FLAT STAKE

Aposta fixa ou aposta de nível é aquela que se baseia na colocação da mesma quantia independentemente das probabilidades ou da correlação entre as odd´s da Fair Line e o preço ou odd de mercado prestado pelo Bookie no momento).

Este sistema é o favorito da generalidade dos Apostadores.

Banca Inicial: 500€
Aposta 1 – 5€
Aposta 2 – 5€
Aposta 3 – 5€

Independentemente do valor da odd e do valor da Banca atual no momento da Aposta.

STAKE VARIÁVEL

Aposta variável o elemento central aqui é o retorno, este sistema devolve um retorno absoluto fixo, por exemplo com uma odd de @1,50 apostamos 40€ para ganhar 20€ e com uma odd @2 apostamos apenas 20€ para ganhar outros 20€.

Há uma enorme dificuldade aqui que é manter a taxa de acerto constante, porque uma taxa de acerto exigida para uma média de odds de @1,50 tem de ser necessariamente muito mais alta que uma percentagem de acerto em odds de @2.

Independentemente do valor da odd e do valor da Banca atual no momento da Aposta.

STAKE PERCENTUAL

Neste plano, o que é jogado é uma percentagem da Banca, exemplo, para uma Banca de 100 unidades, aposta 2,5% da banca, ou seja, se Banca aumenta, Stake aumenta, mas também se ajusta à medida que a Banca reduz por eventuais perdas.

Exemplo:

Banca 100 unidades
Aposta 1 – 2,5% @2 (Green)
Montante apostado 2,5€
Lucro – 2,5€
Aposta 2 – 2,5% @1,80 (Green)
Montante apostado 2,56€
Lucro – 2,05

STAKE PROGRESSIVA ou SISTEMA DE MARTINGALE

Apostas progressivas, onde você aumenta ou diminui o tamanho da sua aposta após cada aposta, dependendo de ganhar ou perder, o Sistema Martingale, onde você dobra após uma perda.

O Martingale é uma estratégia de apostas que foi inicialmente criado pelos jogadores de roleta, especialmente pelos iniciantes. A razão de sua popularidade entre os jogadores é óbvia, o Martingale é um sistema claro, simples e fácil de usar que faz sentido.

No entanto, outros sistemas exigem uma proporção justa de estratégia e conhecimento matemático, qualidades com as quais nem todos foram abençoados (ou pacientes).

Para usar o Martingale correctamente, você nem precisa fazer anotações, porque o conceito por trás dele é muito fácil de entender. Há um grande risco associado, e é por isso que jogadores experientes costumam evitar usá-lo, agarrar uma série de Red´s mais comprida pode destruir por completo a Banca.

Aposta 1 – 10€ a uma odd @2 = RED (Perda 10€)
Aposta 2 – 20€ a uma odd @2 = RED (Perda Acumulada 30€)
Aposta 3 – 30 € a uma odd @2 = GREEN (Perda Acumulada 0€)
Total Apostado 60€
Total de Retorno 0€

E POR ÚLTIMO…

J.L Kelly, Jr Pai do Critério de Kelly

O Critério Kelly – também conhecido como Estratégia Kelly, utiliza elementos de 3 dos sistemas anteriores, apostas fixa “Flat Stake”, Stake Percentual e Stake Progressiva para criar um plano híbrido de aplicação, mais complexo e ainda assim que não é isento de pontos negativos.

 

 

Foi desenvolvido em 1956 por John Larry Kelly Jr. para identificar como maximizar a taxa de crescimento a longo prazo dos investimentos e, desde então, tem sido usado com sucesso por apostadores e jogadores de Casino e Poker, mas sobretudo por todos aqueles que investem no mercado de ações, onde poucos não conhecem este sistema.

O Critério analisa a Banca atual, as probabilidades em causa e a margem que o apostador acha que possui sobre o preço do bookie para determinar o tamanho ideal da aposta.

Não é difícil perceber que com “vantagem estimada” maior, a aposta será maior e com “vantagem menor” a stake alocada a essa mesma aposta será menor, por vantagem estimada deve entender-se a diferença entre a nossa odd justa “fair line” e a odd que o Bookie apresenta.

 

Existem várias variações do critério Kelly – algumas das quais parecem bastante complexas, a fórmula é baseada em apostas com dois resultados – ou seja, você perde toda a sua aposta ou seu retorno e lucro são devolvidos se você vencer – embora várias variações tenham surgido para diferentes circunstâncias.

Gráfico sobre o Critério de Kelly

Aposta = ((Odds decimais x % de chance de ganhar) – 1) / (Odds decimais – 1) * 100)

Onde:

Aposta = Montante da Stake que vamos aplicar
Probabilidades decimais = Probabilidades oferecidas pelo Mercado
% De chance de chance = probabilidade estimada de ganhar apostas

Usando o exemplo da da Equipa A, para vencer @2 (chances decimais de 2,0) com uma probabilidade de 53% e um banco de £ 500 resultaria no seguinte cálculo:

 

Aposta = ((2,0 x 0,53) – 1) / (2,0 – 1) x 100)
Aposta = ((1,06 – 1) / 1) x 100)
Aposta = 6% da banca se considerarmos uma Banca de 500 unidades

Alguns pontos a serem considerados ao usar a fórmula.

Se você tem uma margem zero, ou seja, sua probabilidade é a mesma das casas de apostas, o Critério afirma que você não deve apostar. Está “FAIR” não se entra…

Também é recomendável que você não aposte mais do que a aposta calculada de Kelly, pois isso afeta negativamente seu banco a longo prazo, aqui é onde muitos apostadores amadores, têm dificuldades, sobretudo após uma sequência de Red´s ou após um Red mais doloroso com stake maior.

 Abordagem do Critério de Kelly

Ineficiências do Modelo ou Abordagem Kelly

A principal falha – e de certa forma significativa – do Critério Kelly é que ela pressupõe que o apostador saiba a verdadeira probabilidade de um evento acontecer, ou seja, assuma que a probabilidade que estima para o evento seja correta, face à probabilidade que corresponde ao preço da Aposta nesse momento, no mercado.

O critério Kelly é conhecido como um método de alavancagem de banca, já que busca um crescimento exponencial da banca. Isso faz sentido no mercado financeiro, porém é uma estratégia kamikaze nas apostas.

 

Mais uma vez, quem não conseguir precificar bem um determinado acontecimento, terá muita dificuldade na aplicação do critério Kelly, porque será muito difícil calcular a Vantagem sobre a probabilidade do Mercado.

Outra desvantagem é que o resultado percentual do Critério costuma ser uma proporção significativa do seu saldo bancário, o que significa que grandes participações podem ser necessárias.

O Critério Kelly visa aumentar a sua Banca numa taxa máxima é uma abordagem bastante agressiva.

 

Suicide do Critério de Kelly

A maioria dos apostadores profissionais não arriscaria nada perto de 10% da sua Banca em uma única aposta, e a fórmula de Kelly, raramente sugere entradas baixas.

Uma estratégia comum empregada por alguns jogadores para superar os dois problemas acima é usar uma estratégia ½ Kelly ou mesmo ¼ Kelly para garantir que eles não existam super exposições, basicamente, basta reduzir pela metade ou dividir a aposta Kelly sugerida.

Se o critério de Kelly é a abordagem correta si enquanto Apostador, tudo se resume à preferência pessoal.

É sensato abordar suas apostas de maneira profissional, portanto, conceitos como Gestão de Banca e Stake Plan devem estar no centro das suas preocupações.

O critério Kelly está desenhado para o mercado financeiro, mais especificamente para o mercado de ações, onde dificilmente se perde 100% do capital investido, enquanto nas apostas, o red corresponde normalmente a perda de 100% do capital investido. Esta é provavelmente a maior ineficiência do Kelly aplicado às apostas.

Pedo que se infere do parágrafo anterior, o Critério Kelly deve ser adaptado para ser utilizado nas apostas. Apesar de poder ser usado para crescimento rápido da banca, vai contra os princípios básicos da gestão de banca.

Mesmo percentagens de alocação Kelly 1/2 ou 1/4, são percentagens extremamente altas da banca.

Uma abordagem utilizada por apostadores profissionais é a utilização do Kelly 1/10 com limites máximos de 2% da banca por aposta.

Além disso, o apostador pode optar ou não utilizar Unidade proporcional ou não, ou seja, o apostador pode recalcular a banca com periodicidade diária e aplicar o Kelly sobre aquele valor, ou simplesmente calcular as unidades de acordo com a banca inicial.

As grandes e inquestionáveis qualidades do Kelly nas Apostas, são:

– alocar mais capital onde existe mais valor e menor capital onde existe menos valor;

– estabelecer o valor mínimo para realizar uma aposta (usando Kelly 1/10 de 1% a 1.5% dependendo do mercado).

No próximo artigo sobre Kelly vamos elaborar uma proposta concreta para uma abordagem de Kelly modificado, que serve melhor o propósito das apostas, inclusive para quem deseja uma gestão mais conservadora e procura um crescimento mais sustentável da banca.

Agradecimentos e Notas finais

Este artigo deve-se à persistência e ajuda de 3 grandes apostadores, cada um no seu lugar e com o seu espaço e trabalho, mas que me incentivaram a colocar num Artigo o que penso sobre Kelly…

Ao Danilo Pereira, porque tornas fácil o que é difícil e ensinas onde está o Valor, ao Rafael Caiafa que é o melhor PUNTER para High Scoring Sports que conheço…

… e ao WOLF que me aturou com as manias de perfeccionismo e espero um dia conseguir que dê a cara… ele é enorme… está no meio de nós… e permanece invisível…