Do Boxing Day à Boxing Week – Futebol “Nonstop”

Do Boxing Day à “Boxing Week” – Futebol “Nonstop” em época festiva

Dia 26 Boxing Day à Boxing Week

Uns estão a arrumar as prendas, outros a gastar o dinheiro que amealharam, e há até quem já esteja a trabalhar… Mas em Inglaterra? No país de “Sua Majestade” vai tudo para o futebol, há Premier League! – Boxing Day à Boxing Week

Esta semana o “Rivalidades” transforma-se. Em vez da história de um jogo, abordará os contornos de uma tradição que deu origem a vários durante este período festivo: o “Boxing Day”.

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Tecnicamente, o Boxing Day é “apenas” o dia 26 de dezembro. Porém, vendo nos dias após o natal uma excelente oportunidade para distinguir o futebol britânico de todos os restantes. As Federações lembraram-se de fazer uma espécie de “evento” futebolístico entre 26 de dezembro e 2 janeiro do ano seguinte, com três jornadas quase “nonstop” de grandes partidas: chamamos-lhe a “Boxing Week”.

Se isto não o faz pensar em deixar de ver o “Sozinho em Casa” ou o “Die Hard”, bem como a tradicional programação da época festiva, então não sei o que fará…

Boxing Day

Sim, leu bem. Apesar da Premier League ser a principal atração destes dias, há mais ligas que pode seguir, designadamente: o Championship, segunda liga inglesa que parece tudo menos isso, com melhores jogadores e mais investimento que muitas outras da cauda da Europa.

E ainda a Premier League Escocesa, com os sempre fantásticos Celtic de Glasgow e Glasgow Rangers (que até se vão defrontar). A única diferença é que na Escócia apenas se joga entre 26 e 29 de dezembro, ou seja, duas jornadas.

Premier League

Mas, afinal, o que é o Boxing Day?

Como já referimos, o Boxing Day é o feriado de 26 de dezembro, o dia a seguir ao Natal. Celebra-se em todo o Reino Unido, onde lhe é dada mais relevância.

No entanto, há outros países na Europa que também o “festejam” sem que seja feriado, mas como se fosse um “Segundo Natal”, tais como: Alemanha, Roménia, Holanda, Polónia, Hungria, República Checa e todos os constituintes da Península Escandinava.

A sua origem é ainda hoje muito discutida, sem que se consiga chegar a um consenso. Ainda assim, há quatro teorias que são as mais contadas e, pelo facto de fazerem algum sentido, vamos deixá-las aqui.

Deixamo-lo a si, caro leitor, com o poder da escolha acerca do contexto que considerar mais próprio para o feriado britânico.

Estádios em Inglaterra no Boxing Day

Teoria #1 – Primeiro dia depois do Natal visto como feriado para os carteiros e estafetas de todo e mais variado tipo, onde estes receberiam uma caixa de presente, doado por alguém do Império Britânico.

Teoria #2 – “Boxing” em referência a presentes de Natal. O dia onde, tradicionalmente, os serventes recebiam as prendas dos seus mestres, as tais caixas de presente. Neste dia 26 dezembro não se trabalhava e era-lhes dada permissão para ir para casa, entregar a “box” aos seus familiares.

Teoria #3 – A 25 de dezembro circulava uma caixa, que tinha como objetivo a recolha de fundos junto da sociedade britânica e que estava normalmente colocada nas igrejas. O seu conteúdo era revelado no dia seguinte – o “Boxing Day” – com a finalidade de ser entregue aos mais carenciados.

Teoria #4 – Uma tradição náutica. Os grandes navios, quando saiam em serviço do Império Britânico, levavam sempre a bordo uma caixa com dinheiro, que acreditava trazer boa-sorte para a viagem.

 

Caso o seu objetivo fosse conquistado com sucesso, a “box” seria entregue a um padre, já em terra, aberta no dia de Natal e entregue aos mais carenciados no dia seguinte.

Originalmente era a 26 de dezembro que os britânicos comiam os restos que tinha sobrado do Natal e, com não menos relevância, tinham a possibilidade de estar com família e amigos, sobretudo estes últimos, com quem não tinha privado nos dias anteriores.

Com o passar dos tempos, tornou-se num feriado importantíssimo para o desporto do Reino Unido: não só o futebol beneficiou com esta tradição.

A caça desportiva, o rugby e as corridas de cavalos também ganharam uma imensa popularidade durante este período.
Focando-nos no futebol, a tradição de haver vários jogos no mesmo dia começou nos anos 60, porque antes disso, os jogos eram mesmo feitos no dia de Natal.

Nesta segunda fase – que ainda vigora nos dias que correm –, o Boxing Day era o sonho de qualquer adepto de futebol e fantástico para o “Rivalidades”… Os clubes jogavam só com os seus rivais locais, de modo a evitarem viagens longas no dia a seguir ao Natal.

Mais tarde, com a modernização do desporto, das infra-estruturas e dos meios de transporte, esta “regra” acabaria por cair por terra.

leicester no Boxing Day à Boxing Week
O seu sucesso a nível de receitas de bilheteira, audiência televisiva e de espectáculo dos jogos em questão foi tanto, que, por exemplo, a Serie A – de Itália – fez na época passada (2018/19) a experiência de ter um Boxing Day.

O objetivo era replicar o sucesso que o dia 26 tem em Inglaterra e a solução produziu excelentes resultados. Os 69% dos estádios estavam na sua máxima capacidade, um resultado que não encontrou paralelo em qualquer jornada do mesmo mês de dezembro. Por isso, estou surpreendido que este ano não haja também Boxing Day em Itália… Algo que só os responsáveis da Federação poderão explicar.

Os mais memoráveis jogos deste evento futebolístico

Caraterizadas por serem partidas tremendamente espetaculares, estas três jornadas de Premier League – bem como de Championship e outras ligas britânicas – trazem quase sempre alguns jogos que nos entram pela retina adentro e nunca mais saem. O cansaço acumula-se, os golos aparecem e normalmente há sempre vitórias de David contra Golias.

A extensão dos plantéis é importantíssima e cada vez mais as direções e equipas técnicas preparam-se da melhor maneira para enfrentarem os rigorosos calendários que têm ao seu dispor.

Ainda assim, nestas jornadas, a raça e a vontade de vencer superam quase sempre o rigor tático. Os “mestres da tática” têm de trazer ao de cima muito mais a sua vertente de “líder e motivador de homens”.

EPL
Um dos exemplos claros de um Boxing Day completamente esquizofrénico e com resultados “anormais” em catadupa foi o de 26 de dezembro de 1963. Em dez jogos da “Division One” – como era conhecida a PL –, apenas podemos considerar duas partidas “normais”: as vitórias de Leicester e Sheffield Wednesday em casa por 2-0 e 3-0, respetivamente.

O resto? “Madness”, como eles dizem. Autênticas humilhações, como a vitória por 10-1 do Fulham frente ao Ipswich, o 6-1 do Burnley ao Manchester United (leu bem), ou os oito golos que o Blackburn foi marcar ao terreno do West Ham, com apenas dois dos homens da casa. Liverpool e Chelsea também golearam, sem apelo nem agravo, Stoke (6-1) e Blackpool (1-5), respetivamente.

Por fim, falo ainda das outras três partidas deste dia, que resultaram em empates dignos de Hóquei em Patins: Nottingham Forest 3-3 Sheffield United, Wolves 3-3 Aston Villa e ainda West Brom 4-4 Tottenham.


Quanto a exemplos mais recentes, escolhi três que demonstram que este espírito de completa “anarquia resultadista” ainda não desapareceu. Em 2007, Stanford Bridge foi palco de um jogo cheio de incidências e que terminou com um expressivo 4-4 no marcador.

Os homens da casa, Chelsea, recebiam o Aston Villa. Um jogo que contou com três vermelhos diretos, cinco amarelos, alterações constantes no marcador. Golaços de meia-distância (inclusivamente de livre direto) e até houve tempo para um frango de Cech. Algo que não se viu muitas vezes durante a longa carreira do guarda-redes checo.

Em 2008 encontramos o resultado mais desequilibrado destes exemplos recentes que levamos até si. O Manchester City, nos primeiros anos de investimento árabe, venceu em casa o Hull City por 5-1. Numa primeira parte terrível para o Hull, quando o árbitro apitou para o intervalo, o resultado já estava fixado nos 4-0.

Pep Guardiola no Boxing Day

Foi então que o mais inesperado aconteceu: Phil Brown, na altura treinador dos “Tigers”, impediu a sua equipa de recolher ao balneário.

Em vez disso, sentou-se os seus jogadores no relvado do “City Of Manchester” e deu-lhes um autêntico raspanete em frente a todos os espetadores.

Em declarações pós-jogo, explicou que esta sua tentativa tinha o objetivo de manter os “homens vivos, porque até ali pareciam que estavam mortos”, disse. “Os 4000 adeptos que viajaram de casa para nos acompanhar mereciam uma explicação digna para o que estava a acontecer e eu não conseguia fazê-lo dos confins do balneário”. Um país aparte. Robinho e Caicedo marcaram dois golos cada um, para os citizens.

Por último, falamos do derradeiro Boxing Day de Sir Alex Ferguson à frente do Manchester United, que aconteceu em 2012. O jogo era contra o Newcastle de Demba Ba, Cissé e do capitão Coloccini.

Os Magpies colocaram-se na frente por três vezes (0-1, 1-2 e 2-3), mas isso não chegou para travar os Red Devils, que foram sempre empatando e aos 90 minutos. Mas deram mesmo a cambalhota no marcador através de “Chicharito” Hernandéz. Um 4-3 que o mítico escocês nunca irá esquecer.

Uma semana de futebol sem parar

Kloop Santa Claus

A temporada de 2019/20 não será exceção. Daqui a uns dias há futebol na época festiva e com esta ideia de transformar os dias seguintes numa espécie de “Boxing Week”, há muito por onde escolher e jogos fantásticos para seguir.
No dia 26 de dezembro, a hostilidades arrancam com uma partida que parece ter pouca história, mas creio que vai ser interessante de seguir.

 

Spurs no Boxing Day à Boxing Week

Tottenham, de José Mourinho, a receber em casa o Brighton, depois de um jogo na primeira volta, no terreno dos Seaguls, que terá sido porventura a exibição mais pobre dos Spurs nesta época, sendo vergados num estrondoso 3-0 e perdendo o seu guarda-redes e capitão de equipa por vários meses, Hugo Lloris. Cheira-me que os homens do português vão querer “vingança” e apagar essa má imagem.

Boxing Day à Boxing Week

manchester united no Boxing Day à Boxing Week

Nesta jornada 19 há ainda um Manchester United vs Newcastle – que poderia ser parecido ao de 2012 e não nos importávamos nada. Um Leicester vs Liverpool, com o primeiro classificado, (ainda) invicto, a visitar a casa da equipa sensação desta temporada, atualmente no segundo lugar. No dia seguinte, o único jogo que se disputa a 27 deste mês, põe a armada portuguesa do Wolves frente-a-frente com o Manchester City de Guardiola.

Chelsea no Boxing Day à Boxing WeekA jornada 20 arranca com um dos derbies do sul de Inglaterra, o Brighton vs Bournemouth, tem pelo meio um dos derbies de Londres, Arsenal vs Chelsea, e por fim coloca outro grande desafio aos Wolves de Nuno Espirito Santo, com um difícil visita ao terreno do líder, Liverpool.

Já o dia de Ano Novo, que marca o arranque da jornada 21 da Premier League, traz até nós talvez aquele que é o cardápio mais fraco desta semana de futebol sem parar. O grande destaque vai para o jogo que põe frente-a-frente Arsenal e Manchester United.

Apesar de serem dois clubes que passam por dificuldades exibicionais – mais os primeiros que os segundos. O jogo entre si é um dos grandes clássicos das terras de Sua Majestade.

O cabeça-de-cartaz: A rivalidade que deve seguir “religiosamente”
Posto isto, a partida que encabeça o cartaz destes dias “loucos” nem sequer vai acontecer em Inglaterra. É numa Premier League, certo, mas na Escócia.

Rivalidades

Boxing Day à Boxing Week

Abrimos aqui a janela do “Rivalidades” para falarmos do “Derby de Old Firm”, que coloca frente-a-frente Celtic vs Rangers, os dois colossos de Glasgow.
Categorizado com uma das rivalidades mais acesas do futebol mundial, significa muito mais do que apenas três pontos ou a passagem para a ronda seguinte de uma qualquer taça. Para estes adeptos, é uma guerra entre Católicos (Celtic) e Protestantes (Rangers).

Na verdade, para muitos este jogo de futebol até nem interessa muito. O que interessa é que ele seja mais uma das plataformas onde se discute, nas bancadas. As duas visões que têm em termos religiosos e políticos. Este derby ferve tanto, que há registo de feridos e até mortes no pré e no pós-jogo.

Celtic no Boxing Day à Boxing WeekA rivalidade futebolística começou em 1888, quando Celtic e Rangers se defrontaram pela primeira vez, num amigável.

 

 

 

A denominação “Old Firm”, traduzido à letra para “Velha Firma”, deve-se a um cartoon, publicado na primeira década do século XX, que satirizava o facto da possibilidade das duas equipas terem combinado um resultado entre si – um empate –, de forma a forçar um terceiro jogo para a decisão da Taça da Escócia.

O objetivo contava-se, era o de tirar partido da grandeza dos dois clubes para fazerem dinheiro de bilheteira, como uma “firma”.

Glasglow Rangers  no Boxing Day à Boxing Week
No que aos títulos diz respeito, a rivalidade é tão acesa como nas outras vertentes. Em 104 das edições da Liga Escocesa, o “caneco” ficou na posse de Rangers, ou de Celtic:

– Rangers: 54 troféus
– Celtic: 50 troféus

A vantagem para os protestantes no mais importante título, não se reflecte na Taça da Escócia, com os católicos a terem aqui a vantagem:

– Celtic: 27 troféus
– Rangers: 19 troféus

Em 419 jogos, em competições oficiais, a vantagem está do lado do Rangers, com 161 vitórias. O Celtic tem menos duas registadas e ainda houve 99 empates entre ambos.

Scottish premier League- Boxing Day
Por esta altura, ambas as equipas estão nos dois primeiros lugares da Premier League Escocesa – sem surpresa. O Celtic em vantagem por cinco pontos (e um jogo a mais).

Os dois gigantes de Glasgow estão também este ano a dar cartas nas competições europeias, com boas prestações na Liga Europa. O que as levou a passarem até à fase a eliminar.

Boxing Day à Boxing Week Pai natal

Boxing Day à Boxing Week

Mais que um Boxing Day, no Reino Unido, a Boxing Week está à espreita e não é por grande parte da Europa estar de férias, que a bola para de rolar.

Boxing Day à Boxing Week com Carlos Ribeiro
Carlos Ribeiro – Jornalista no Rivalidades na Betopedia 

Derby Della Lanterna – Rivalidades

Derby Della Lanterna

Durante os artigos que tenho vindo a escrever, é normal que os temas se incidam sobretudo nas partidas com um perfil mais popular, entre clubes grandes – Derby Della Lanterna (Vermelha)

Paulo Fonseca

Derby Della Lanterna (Vermelha) – Em Itália, país no qual aterramos, já falámos dos dois gigantes de Milão, da “Velha Senhora” Juventus, do Nápoles de Maradona e da Roma, que agora é treinada por Paulo Fonseca. Porém, o jogo que iremos abordar agora vai ter como protagonistas duas equipas que não são tão populares e tão bem-sucedidas como estas.

Ouve a nossa AudioTip do Tipster Betopedia – Nuno Graça:

A 16ª Jornada da Serie A vai ter o 99º episódio do “Derby Della Lanterna”, a rivalidade mais acesa da cidade de Génova: Genoa vs Sampdoria. O que também quer dizer que ainda durante a época 2019/2020 vai ser jogada a partida 100 deste confronto histórico do futebol italiano.

Tanto a Genoa como a Sampdoria, não entram para este jogo numa forma muito famosa. Estando ambas muitíssimo próximas do último lugar do campeonato, e a primeira mesmo abaixo da “linha de água”.

Geno vs sampdoria e o ambiente no Derby Della Lanterna

Derby Della Lanterna: O contexto

Como já pudemos perceber também pelos outros derbies/clássicos que abordámos do futebol italiano, tanto adeptos como jornalistas desportivos, gostam de cunhar os jogos mais emblemáticos com um símbolo cultural e/ou histórico relevante do seu país.

Neste caso, a “Lanterna” de que falam é na verdade o “Farol”, a gigantesca torre portuária que vigiava os genoveses enquanto estes trabalhavam numa das mais importantes actividades económicas da cidade, e que ainda desempenha papel fundamental no desenvolvimento da mesma.

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Ao longo dos anos foi-se tornando no mais visitado monumento de Génova e no símbolo do derby transalpino.

Se no “casamento” com a cultura italiana este Genoa vs Sampdoria é semelhante aos restantes jogos de características similares que disputam no país, assina o seu divórcio dos mesmos no que à sua origem diz respeito.

A maior parte das rivalidades de Itália têm origem em “guerras” partidárias: ideologias políticas, no rico contra o pobre…

 

Mas aqui é muito mais simples a explicação. Trata-se de uma rivalidade entre o mais antigo clube do território, o Genoa, e o mais recente, a Sampdoria (mais recente e sempre um projeto com continuidade).

Genoa retrato antigo

O Genoa Cricket and Football Club, mais frequentemente denominado como Genoa CFC, foi fundado a 7 de setembro de 1893 e é, como já dissemos, o clube mais antigo de Itália ainda em funcionamento.

Este parêntesis é importante porque, na verdade, se tivermos em conta três clubes de Turim que já estão extintos, é apenas o quarto na lista.

É considerado como o clube “mais inglês de Itália”, não só devido aos seus fundadores, dessa nacionalidade, mas também porque nunca perdeu a sua influência, por exemplo, nas cores do seu símbolo.

Conhecidos como “Rossoblu”, já foram campeões do país e fizeram a maior parte da sua carreira na Serie A, mas também com muitas passagens pela segunda divisão do futebol italiano.

Por sua, a “jovem” Unione Calcio Sampdoria, mais conhecida como apenas UC Sampdoria, apenas iniciou a sua história após o fim da II Guerra Mundial, mais concretamente, a 12 de agosto de 1946.

Surge da fusão dos dois clubes da cidade que, até ali, faziam frente à Genoa: Sampierdarenese e Andrea Doria. Embora não sejam tão bem-sucedidos como os seus maiores rivais, os “Blucerchiati” conseguiram também vencer a Serie A, o maior feito da sua história.

Genoa no Derby Della Lanterna

As duas equipas partilham o mesmo estádio, o Luigi Ferraris, algo que também é normal acontecer no futebol italiano.

Recentemente, a cidade de Génova foi abalada por uma tragédia que “resfriou” os ânimos do derby durante a temporada transata e uniu Genoa e Sampdoria na dor.

A 14 de agosto de 2018, durante uma chuvada tremenda, cerca de 210 metros da Ponte Morandi, um dos principais itinerários que ligava Itália a França, desabou.

Faleceram 43 cidadãos de várias nacionalidades. Ficaram ainda 16 pessoas feridas. Por esse facto, que abalou o núcleo das equipas, os derbies da época passada foram vistos mais como uma homenagem . Sobretudo a todos os que sofreram com o acidente e menos como uma rivalidade.

 

A memória não se apaga, mas com a tragédia menos “fresca” no panorama da actualidade, aos poucos a normalidade vai voltando à cidade.

Um jogo do Derby Della Lanterna

Os momentos

O primeiro jogo entre Genoa e Sampdoria ocorreu em 1947 e acabou em vitória da “Samp”, por 2-3. Nesta primeira fase dos duelos, que durou até 1980, as partidas – muitas vezes – decidiam qual das duas equipas desceria de divisão, de forma direta ou indireta.

Em 1951 e em 2003 a Sampdoria fez descer a Genoa, enquanto em 1977 e 2011, o oposto aconteceu. Porém, em 1972/73, jogaram entre si no último jogo e ambas precisavam da vitória para se manterem no convívio dos grandes. Exato aconteceu isso mesmo que está a pensar: empataram e desceram as duas para a Serie B.

Como disse, a partir de 1980, tanto os Rossoblu como os Blucerchiati atravessaram dos seus melhores momentos. Consequentemente, a rivalidade também ganhava outra relevância na Serie A e os adeptos davam autênticos “shows” nas bancadas, com coreografias jocosas de ambas as barricadas.

Um dos episódios mais controversos – e se fosse hoje em dia seria pior ainda. Aconteceu algures nos anos 80, quando o fundador dos ultras da Sampdoria, Claudio Bosotin, levou para o estádio uma figura gigante de um macaco com as cores da Genoa vestidas. Numa referência ao estilo de vida boémio e “preguiçoso” – segundo alguns meios italianos – do seu avançado Eloi, de nacionalidade brasileira.

O jogo nem sequer era com os seus rivais, mas ele queria que a mensagem passasse… e passou.

 

Em 1990, 13 anos depois de defrontarem pela última vez a Samp, o Genoa regressou à Serie A e defrontava uns Blucerchiati no topo da classificação e com a maior parte dos adeptos a torcer por si.

O resultado foi quase sempre de 1-1, com dois golos muito cedo no jogo, mas já numa fase adiantada do mesmo. Foi concedido um livre dos 25 metros ao clube “visitante”.

 

Branco, brasileiro antecessor de Roberto Carlos e que tinha qualidade a bater livres (já se está a ver onde isto vai parar, não está?). Marcou um golaço e os “recém” primo-divisionários venceram os primeiros classificados.

No dia seguinte, e por ser altura Natal – tal como agora – vários fãs dos Rossoblu enviaram aos seus rivais postais de natal com fotografias do golo de Branco, algo que viria a ser uma tradição em épocas festivas: “gozar” com o adversário de forma saudável, através de momentos marcantes dos derbies em postais.

As estatisticas do Derby Della Lanterna

Com a Lanterna sobre a estatística

Será a “experiente” Genoa a vencer mais vezes o seu principal, ou a “jovem” Sampdoria ganha mais? A Samp está na frente e é a principal vencedora deste Derby Della Lanterna. Que já se disputou em três competições: Serie A, Serie B e Taça de Itália.

Genoa – 24
Sampdoria – 38
Empates – 36

 

Pela história de ambas e pelo facto do Genoa ter mais títulos, sempre pensei que fossem ter a dianteira da rivalidade, mas isso não acontece. Na principal competição do futebol italiano, a Genoa conseguiu conquistar nove títulos, conquistados já há quase 100 atrás.O último foi em 1923/24.

Sampdoria retrato antigo

Já a Sampdoria venceu em 1991, dentro da sua melhor fase desportiva, entre 1985 e 1994. Vence apenas nas Taças de Itália, com 4 vs 1 dos Rossoblu. Tem no seu palmarés um troféu europeu, a “Taça das Taças”, já defunta.

 

Desde 2012/13, altura em que partilham as duas um lugar na Serie A, a Sampdoria terminou por cinco vezes acima dos seus adversários, enquanto o Genoa apenas o fez por duas vezes.

 

Neste parâmetro, ao longo da história, os Blucerchiati também têm a dianteira do marcador. Por 27 vezes terminaram à frente de Rossoblu, com o Genoa a finalizar por 16 vezes à frente da Samp.

Sampdoria no Derby Della Lanterna

A atualidade

Depois de passarem pelas duas equipas nomes grandes do futebol mundial como Vialli, Mancini ou Signorini, apenas para citar alguns, hoje em dia os seus planteis são bem mais modestos.

Do lado dos Rossoblu, o lateral Domenico Criscito é a principal referência e capitão. Enquanto nos Blucerchiati também é um italiano que assume o papel principal, mais concretamente, o goleador Fabio Quagliarella.

Depois há outros, que também se destacam, como Sanabria, Rigoni, Cristián Zapata, Saponara, Karol Linetty, Gabbiadini ou Gastón Ramirez.

No que aos treinadores diz respeito, ambas começaram a época 2019/20 apostando num treinador que entretanto já despediram. Aurelio Andreazzoli já deu o seu ligar a Thiago Motta no Genoa. Ao passo que Eusebio Di Francesco já foi substituído por Claudio Ranieri no comando da Sampdoria.

Derby Della Lanterna (Vermelha)

 

Carlos Ribeiro no rivalidades sobre o Derby Della Lanterna
Carlos Ribeiro – Jornalista no Rivalidades na Betopedia

Por esta altura, os pontos estão caros e tanto a Genoa, como a Samp, estão carenciadas dos mesmos. Espera-se um grande derby, com pressão os dois lados e um colorido nas bancadas que só podemos ver à luz desta Lanterna.