Hoje não vamos falar de Apostas

Hoje não vamos falar de Apostas

Hoje não vamos falar de Apostas…

Mas é com esta mensagem que gostaria de deixar aqui umas breves reflexões, que não pretendem ser mais do que pontos para que no futuro voltemos a deambular, até que alguma súbita mudança como que por “osmose” possa ocorrer, no fenómeno futebolístico Português –

Não pretendo ser jornalista, nem “blogger”, não quero de modo algum achar que tenho qualquer tipo de razão, até porque não sei se esta existe, num tema como este.

 

Como dizem alguns, a verdade é cinzenta e o mundo não é a preto e branco. Obrigado, Matthew Trenhaile.

Antes de começar, quero fazer uma declaração de interesses, não sou benfiquista, não sou portista, sou adepto, ex-sócio e simpatizante do Sporting Clube de Portugal, clube apostado em contaminar tudo e todos com Covid-19 e, assim, regressar a uma competitividade há muito perdida, ou não fora o nosso timoneiro um homem da saúde e ex-militar, logo habituado a estas tácitas de guerrilha.

Corona Vírus Portugal

Passadas pouco mais de 24h daquele que é para mim um dos maiores desaires desportivos do futebol português nos últimos anos, queria deixar aqui algumas ideias soltas, para que um de vós agarre nesta amálgama e possa então escrever-me algo que na continuidade faça, para mim, sentido.

PAOK vs Benfica
O Benfica foi derrotado pelo PAOK, no sempre difícil estádio Toumba com pouco mais do que 4 fervorosos adeptos, treinado desde a época passada por um português, que espero não volte tão depressa a treinar clubes em Portugal.

Hoje não vamos falar de Apostas…

 

Com este desaire, perdeu a oportunidade de lutar por um lugar na Champions, onde poderia fazer um encaixe direto a rondar os 50M€ e, consequentemente, poderia compor os cofres do Clube, num ano que se espera que as receitas de bilheteira sejam, praticamente, inexistentes e onde as receitas televisivas poderiam somar também quantias importantes e não seriam de descurar eventuais contratos de patrocínio que pudessem estar “agarrados”.

Cavani no BenficaPosto isto, e porque não pôde contar com Cavani para esta partida, a equipa de JJ não soube ser competitiva, e alguns milhões depois jogou como nunca no primeiro tempo e com dois erros defensivos… mais fez lembrar os tempos de “Rui Laje”… perdeu como sempre.

 

Tony Vilhena
Há mais de um ano, no dia 13 de Agosto de 2019, Suleymanov e Tony Vilhena deram o primeiro sinal que o futebol lusitano estava adormecido, doente e quem sabe irremediavelmente perdido numa Europa em que proliferam os petrodólares por tudo quanto é clube, e a competitividade das ligas está diretamente correlacionada com os modelos fiscais dos países e respetivas receitas televisivas (ponto final parágrafo, retenham isto). Não somos fiscalmente competitivos para atrair bons jogadores… e no caso de Cavani foi o que se viu…

Hoje não vamos falar de Apostas

É com tristeza que reparo que a Nossa Seleção é a única matriz de competitividade do nosso futebol e conta com a ajuda de clubes ingleses para incrementar os índices de competitividade que nos faltam, sobretudo no que concerne à entrada na prova Rainha de Clubes, a “xampions”…

Selecção portuguesa campeã europeia de futebol
É caso para dizer que temos uma das federações mais ricas em receitas e quem sabe alguns dos clubes mais pobres por esta Europa do futebol.
Passamos o tempo todo a gladiarmos por tomadas de decisão de árbitros e VAR, com jogos de bastidores, a perder horas a fio em Ligas RECORD e a ver programas com comentadores que muito pouco sabem de futebol.

Filhos e o futebol no artigo Hoje não vamos falar de ApostasTemo que com o passar dos anos estes fossos tenham tendência a agravar-se e que os nossos filhos não tenham chances de sonhar com um Porto de Mourinho ou um Benfica de Eriksson.

 

Temo que cada vez mais os nossos filhos comecem a ser adeptos de clubes europeus, sejam eles ingleses, italianos ou outros, em detrimento dos clubes que nos faziam acordar de manhã cedo ao domingo porque era dia de sair com o pai e ir ao futebol, quer fosse para ir a Torres Novas ver o Marinhense ou o Sporting ao antigo José de Alvalade.

Quero a vossa ajuda para perceber por que é que é mais importante discutir os lances duvidosos do que entender as razões pelas quais saem jogadores dos nossos clubes para clubes com quatro vezes menos adeptos e mesmo assim acham que deram “o salto”… querem nomes? Fábio Silva “dá o salto” do campeão português para um clube com menos adeptos e que fica fora dos  mais seis em Inglaterra…

Fábio Silva no artigo Hoje não vamos falar de Apostas

Trocando opiniões com um amigo (obrigado, Ângelo) sobre o tema, ele chamou-me a atenção do que para ele era o grande efeito do términus do “… third-party ownership, or T.P.O…” que acabou por fragilizar ainda mais alguns países e clubes, em que modelos de partilha de direitos desportivos eram negociados entre clubes e fundos ou empresários, onde alguns clubes aparentemente beneficiavam.

 

Segundo ele, o FC Porto de Mourinho quando foi desmantelado, pós-2004, reteve muito pouco valor económico porque o modelo de financiamento era esse, assim como alguns outros nomes grandes do futebol Europeu que eclipsaram: Dortmund, Werder Bremen, Ajax, Valência, Leverkusen…

Contudo, a vitória na FIFA não foi dos clubes grandes contra os pequenos, foi sim das principais ligas contra as ligas de países periféricos, como Holanda, Portugal, França, Turquia entre outros, que perderam definitivamente a guerra contra Alemanha, Inglaterra, Espanha e Itália.

 

A este propósito, recomendo a leitura deste artigo do New York Times:
https://www.nytimes.com/2015/01/02/sports/soccer/fifa-will-ban-third-party-ownership-in-may.html

 

Betopedia Telegram

 

Hoje não vamos falar de Apostas…

Este é para ele um dos principais, senão, o principal movimento do declínio do futebol dos países periféricos. E vai mais longe, pode até ser o derradeiro, pois sem a partilha de risco e incentivo, os clubes desaguarão num cenário de empobrecimento a nível de receitas, agravado pela ausência de público e perdas de patrocinadores, o que poderá agravar ainda mais num curto espaço de tempo a já frágil estrutura dos clubes e, consequentemente, a competitividade internacional dos mesmos.

Aliado a isso, o render das nossas matrizes e conceções organizacionais, que abdicam dos projetos desportivos em detrimento de outros interesses, no qual temos um exemplo claro o recente regresso ao Benfica de JJ, a fim de se evitar um descalabro eleitoral.

Só e apenas isso prova que os decisores estão reféns de eleições, e por isso se abdica de um projeto desportivo com 5 anos, e de investimento em jovens promessas, por um treinador que já assumiu publicamente que quer contratar jogadores com outro nível de maturação e nunca privilegiou a aposta em jovens.

Trincão no Barcelona no artigo Hoje não vamos falar de Apostas
Restam-nos alguns, poucos mas bons, exemplos como o de Trincão que deu um “salto” para um dos maiores clubes do Mundo, numa altura em que estão desesperadamente à procura de uma nova geração.

Hoje não vamos falar de Apostas - Estádios Mário DuarteVou ficando demasiado antiquado para ver e reconhecer este nosso futebol…
Gosto de ver um Benfica, um Porto e um Sporting fortes, gosto de ir aos Barreiros e não saber o que se vai passar. Uma ida a Guimarães ou à “Pedreira” onde é difícil sair de lá com os 3 pontos. Como as idas ao saudoso Mário Duarte em Aveiro ou aos extintos Vidal Pinheiro e Reboleira.

 

Hoje não vamos falar de Apostas…

 

O nosso futebol tinha uma competitividade que perdeu, agora 2 clubes fazem mais de 80% dos pontos e já são os jogos entre eles que decidem os campeonatos.

A Liga perde adeptos a cada dia que passa com alternativas de sofá como ligas mais dinâmicas e emotivas. A League One Inglesa, que é a terceira divisão em Inglaterra, é tele-visionada pelo canal da Federação mas não se podem ver os resumos dos jogos da II Liga porque alguns não têm cobertura ou reportagens televisivas.

CNS - Hoje não vamos falar de Apostas

É demasiado complexo para o meu entendimento, entender toda a lógica do futebol actual. Jogadores e empresários sempre formaram um ecossistema próprio, mas os clubes do CNS estão entre os principais incumpridores ao Fisco.

Hoje não vamos falar de Apostas…

Basta ver este ano a complexidade que foi o fechar do quadro do CNS, e as constantes notícias do entra um depois não entra, uns desistem porque sem público e sem bilheteira não há re ceita… e não vislumbro um fórum, uma voz a procurar construir consensos e medidas para voltarmos aos tempos em que os clubes eram saudáveis.

Um abraço a todos os que tiveram paciência para chegar até aqui porque já mal me lembro do que está para trás…

Bem hajam,

Xeque99 - Hoje não vamos falar de Apostas

 

 

 

 

Xeque99