Modelos para apostas desportivas

“Being just an originator usually isolates you to one sport or genre of bets. I take a top down approach. I’m a full market analyst. Every originator worth anything indirectly increases my earn whether they know it or not. Treat sports betting like a market not a contest of wits.”
Spanky, 28th may de 2019 on Twitter – Modelos para apostas desportivas

Agradecimento ao Luís da SD3 pelas notas que lhe “roubei”.

O que é um modelo? Para que serve um modelo? Devo investir o meu tempo a estudar para construir um modelo?

Estas são algumas das questões que se levantam quando estamos a subir a escada do conhecimento nas Apostas Desportivas (AD).

É sobre esta temática que iremos escrever algumas ideias para reflexão e ponderação sobre o custo-benefício da modelização nas AD, procurando não atingir a Teoria do Valor mas sim complementá-la.

Antes de mais, é necessário entender as AD como um ecossistema no qual coabitam diversos indivíduos, com características diferentes, mas que no seu todo perfazem as peças que constituem esse mesmo ecossistema.

Contudo, se amputarmos algumas dessas peças, o processamento e o equilíbrio não serão os mesmos. É algo como “let nature take is own course…” ou deixem a natureza seguir o seu caminho…


Bookies ou casas de apostas, bolsas de exchange, traders, punters ou grinders são tudo conceitos, uns mais abstratos do que outros. Uma bookie é uma bookie mas um Punter já pode ser muita coisa. Pelo menos, pode operar e encontrar valor de várias maneiras. Nesta linha de raciocínio, vamos agora centrar a nossa atenção na modelização e naquilo que nos EUA se chama de “originators”.

Betopedia Telegram

As bookies modelizam e produzem as linhas que fornecem ao mercado (todos nós) com base em modelos altamente sofisticados. Modelos esses que tanto se baseiam em BIG Data (com custos exorbitantes e de difícil acesso) como em sistemas neuronais, a cada passo mais refinados, com recurso ao Data Minning, à Machine Learning ou a complexos modelos de Regressão que utilizam linguagens avançadas, como Python ou R.

Tudo isto para rapidamente conseguirem o tratamento desses mesmos modelos e, no menor espaço de tempo possível, produzirem cada vez mais linhas de apostas aproximadas a probabilidades “reais” para um determinado evento.

 

Resumindo, isto está cada vez mais difícil. Um exemplo visível é o do ajustamento dos preços nas aberturas dos principais campeonatos de futebol na Europa, estou certo, que independentemente do nosso grau de senioridade no fenómeno das AD, já todos o sentimos.

Modelos para apostas desportivas - cronograma

Já escrevemos, e voltamos a referir, é possível procurar valor de muitas maneiras, sorte ou acaso é uma delas, mas a modelização sobretudo em desportos que sejam ricos em Data, como os desportos de High Scoring (NBA, MLB NHL ou NFL), é outra delas. Assim, é importante a divisão dos desportos para se compreender o que fazem os “originators”, que de seguida iremos caracterizar.

Vamos fazer uma pequena distinção entre os desportos e vamos não só segmentar pela quantidade de “pontos” mas também pela “velocidade” com que o jogo e os pontos podem ocorrer, introduzindo dois conceitos estruturais, o High Paced e o Low Paced:

– A NHL é um desporto de Low Scoring mas High Paced;

– A MLB, e o basebol em geral, estão categorizados como High Scoring e Low Paced;

– A NBA bem como o basket são High Scoring e High Paced.

Modelos para apostas desportivas - Gráfico

Apenas a título de exemplo, o futebol que nós, latinos e apostadores, temos no sangue é Low Scoring e quanto ao Paced, tem dias… pois é bem mais difícil de categorizar.

Modelos para apostas desportivas

 

Posto isto, os “originators” são todos aqueles handicappers ou Punters que procuram valor modelizando, criando modelos para analisar um determinado evento, ou eventos, e apostar de acordo com o valor material que o modelo deles “devolve” face ao modelo das Bookies. Não são os mesmos modelos devido às características dos desportos que escrevemos em cima, quantidade de “pontos” e “velocidade”.

Modelos para apostas desportivas

Estes modelos, apesar de raros existem. Temos como alguns dos exemplos William “Bill” Benter, talvez o maior e mais rico apostador de todos os tempos, Haralabos “Bob” Voulgaris que descobriu um erro e modelizou totais para os quartos e HT para a NBA e, mais recentemente, Rufus Peabody da Masey-Peabody Analytics.

Modelos para apostas desportivas

Uma das características principais destes modelos prende-se com o “hedge”, ou vantagem que conferem, ser sempre de curta duração. Uma a duas épocas? Se calhar estamos a ser demasiado optimistas.

É, portanto, fundamental termos sempre uma enorme capacidade de leitura e adaptação, e estarmos constantemente focados na melhoria do modelo. Como sugere a citação inicial do artigo, a “especialização” entre a matemática e o desporto irá obrigar muito provavelmente ao desenvolvimento de modelos apenas para um desporto.

Modelos para apostas desportivas

Assim, e no que a horas diz respeito, investir num modelo é assaz dispendioso. Além do tempo, é necessário o conhecimento de Excel, Pyhton ou R. É também necessário o conhecimento de estatísticas, distribuições e, claro, um conhecimento médio do desporto em geral e do fenómeno das AD em particular, onde conceitos como CLV e Kelly são (quase) obrigatórios.

A importância da Conversão de Odds em Probabilidades!

A grande ideia que podemos deixar é que a modelização ou a precificação correta e a busca da Teoria do Valor +EV, é de facto o caminho para a construção de um método que nos permita pelo menos equilibrar as hipóteses com as Bookies, no entanto, as correlações com o preço e o mercado não podem nunca ser descuradas.

Modelos para apostas desportivas

 

CNS - Campeonato nacional de Seniores em PortugalNa preconização da Teoria do Valor, seja com o conhecimento empírico que detemos das equipas, seja pelo elevado grau de informação que obtemos por amigos ou canais mais ou menos conhecidos, conseguimos em ligas menores muitas das vezes analisar o desajuste de preços e atuar onde as Bookies ainda estão aparentemente mais fragilizadas, as chamadas Várzeas ou CNS.

Mas será que estão mesmo? Ou estarão a alimentar as bases de dados e alinhar sistemas para num futuro próximo começarem a “ajustar” como fazem nas aberturas das linhas principais?

Será que o tempo de construção e alimentação de um modelo é a melhor maneira de “ganharmos tempo”, sabendo que num curto espaço poderemos ficar sem as nossas vantagens?

A matriz destas respostas e dúvidas deverá ser respondida na sua totalidade nos próximos artigos, no entanto, há desde já uma conclusão que parafraseando Roxy Roxborough não posso deixar de inferir, seja qual for a vossa abordagem e o vosso caminho: “a Teoria do Valor só está certa se apostarem em preços e nunca em equipas; as equipas certas aos preços errados são no longo prazo -EV “.

Como construir a tua própria matriz de risco em Apostas Desportivas?

Em conclusão, torna-se estrutural dar cada vez mais atenção às técnicas de mercado como grinding ou outras que possam permitir complementar, em pré ou em live, aquilo que nos é devolvido pelos modelos que adotamos, sejam eles matemáticos, informacionais ou mesmo… sorte.
Um abraço a todos e até ao próximo artigo,

Xeque99Xeque99

 

 

 

Webgrafia
https://en.wikipedia.org/wiki/Bill_Benter
https://en.wikipedia.org/wiki/Haralabos_Voulgaris
https://massey-peabody.com/about-us/
https://en.wikipedia.org/wiki/Roxy_Roxborough

Vídeo a reter:

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